PIB: não há o que comemorar no atual momento da nossa história | Artigo de Miguel Torres

O IBGE divulgou, na última sexta-feira (4), o PIB de 2021. Depois da queda em 2020, -3,9%, o País cresceu 4,6%. Mas não há o que comemorar. Descontados o decréscimo, resta 0,7%. Há o que comemorar? Não.

O Brasil está parado. Claro, teve bom crescimento em 2021. Menos mal. Mas não dá para comemorar. Isso seria tentar “tapar o sol com a peneira”. Não estamos aqui para fazer isso. Vamos aos dados mais relevantes.

O real continua sendo uma das moedas mais desvalorizadas do mundo. Segundo a Economatica, o Brasil está entre os 24 países cuja moeda foi uma das que mais tiveram perda em 2021 perante o dólar (-3,74).

E o desemprego? A taxa de desocupação, segundo o IBGE, atingiu 12,6% no terceiro trimestre de 2021, o que significa queda de 1,6 ponto percentual na comparação com o segundo trimestre de 2021. O número de pessoas em busca de emprego no País recuou 9,3% e, com isso, chegou a 13,5 milhões.

A taxa de desempregados recuou. Mas continua alta. Qual política pública está em curso para alterar essa realidade? Nenhuma.

E a inflação? O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial de inflação do País, também segundo o IBGE, encerrou 2021 em 10,06%. O resultado ficou acima do teto da meta estabelecida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), de 5,25%, e é o maior em 6 anos.

Assim, a inflação foi simplesmente o dobro do que foi projetado pelo CMN.

A alta da inflação trouxe como uma das primeiras consequências, a carestia dos preços, de tudo. Combustíveis, contas de água e luz e dos alimentos, em particular, da cesta básica.

QUEM PERDEU E QUEM GANHOU

Com isso, quem mais perdeu? Principalmente as famílias mais pobres, vez que se faz presente com grande intensidade em bens e serviços básicos, como energia elétrica, gás de cozinha, combustíveis, aluguéis e alimentos.

É elevado o número de pessoas que voltaram a ter insegurança alimentar, a morar na rua, ou a usar o fogão a lenha. Esta inflação é, especialmente, perversa, com mais desemprego, desalento e estagnação da renda.”

Mas há quem ganhe com isso. Este quadro inflacionário, por outro lado, gera ganhadores. A disparada do dólar, aumenta o preço de produtos e insumos importados, pressionando ainda mais a inflação.

Favorece também os setores exportadores, como o agronegócio, mais interessado em exportar comida do que a ofertar no mercado doméstico onde a fome se alastra. Também favorece quem tem ativos em dólar.

O aumento dos preços da energia elétrica também se relaciona diretamente com decisões políticas. Dentre essas, destacam-se as de longo prazo, como a opção por enormes usinas hidrelétricas em lugar de empreendimentos menores e descentralizados, aumentando o impacto ambiental e a suscetibilidade em relação a eventos climáticos. Vejam o que aconteceu recentemente com o Sul da Bahia, Minas Gerais e esses dias, Petrópolis.

Assim, diante destas informações, dados e números irrefutáveis, pode-se concluir que o País está parado. Estamos sob estagflação, que é a combinação de inflação alta, carestia e desemprego alto.

Desse modo é preciso mudar a direção da política econômica brasileira, orientada pelo neoliberalismo, com contrarreformas que retiram direitos, como a trabalhista e previdenciária, que privatiza ativos relevantes e estratégicos, como a Petrobrás e Eletrobrás.”

Para mudar essa direção é preciso eleger um governo de viés progressista e um Congresso com maioria popular. Vamos trabalhar para alcançar essa perspectiva.

O que estamos fazendo para alcançar esses objetivos?
Com a palavra, os dirigentes sindicais. A Luta faz a Lei.

 

Miguel Torres é presidente da Força Sindical, da CNTM (Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos) e do Sindicato do Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes.

 

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